quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COMPORTAMENTOS COMPULSIVOS

Por que ocorrem Comportamentos Compulsivos? 

Não há uma causa bem estabelecida para a ocorrência de Comportamentos Compulsivos. Pode-se falar em vulnerabilidades e predisposições, seja de elementos familiares, tais como os hábitos conseqüentes à extrema insegurança e aprendidos no seio familiar, seja por razões individuais e relacionados às vivências do passado e a ao dinamismo psicológico pessoal, seja por razões biológicas, de acordo com o funcionamento orgânico e mental. 

Quais as complicações dos Comportamentos Compulsivos? 

Normalmente nesse tipo de problema, a pessoa acaba tornando-se dependente dessas atitudes, as quais ocupam um espaço importante no seu cotidiano. Em alguns casos ocorrem-se danos físicos, como na pessoa com Vigorexia, que precisa malhar todos os dias e por longas horas, ou lesões na pele das mãos devido aos rituais de lavar continuadamente, ou escoriações quando há auto-escoriações, calvície quando há tricotilomania, desnutrição quando a compulsão é por vômitos (bulimia), obesidade quando a compulsão é por comida, dívidas quando a compulsão é por gastar e assim por diante, dependência química quando a compulsão é por álcool e outras drogas. Freqüentemente essas pessoas sentem desconforto emocional (e muitas vezes até físico) apresentam angústia tanto na ausência quanto na impossibilidade em realizar a atitude compulsiva. A ocorrência de tais comportamentos pode acarretar imensos prejuízos e a repetição desses comportamentos e o aumento gradual da freqüência deles acaba caracterizando um verdadeiro processo de dependência. Estes comportamentos compulsivos precisam de tratamento quando se percebe que eles existem e quando se notam conseqüências, prejuízos à vida da pessoa ou ao seu ambiente sócio-familiar. 

Como tratar? 

Não existe um tratamento universal ou uma única abordagem, que sirva ou que seja eficaz e aplicável para todas as compulsões nem para todos os indivíduos, já que existem várias formas de tratamento para pessoas que padecem desse transtorno: terapia cognitivo-comportamental, tratamento psiquiátrico, clínicas especializadas, grupos de mútua- ajuda. Existem também medicações que ajudam o paciente a controlar o comportamento impulsivo/ compulsivo. De qualquer forma, a utilização das medicações deve sempre ser associada com o tratamento psicoterapêutico, tendo em vista a multiplicidade de fatores relacionados com o comportamento. No caso da dependência química, a recuperação é um longo processo e freqüentemente requer vários episódios de tratamento. Lembramos que a desintoxicação é somente uma etapa do processo e que a dependência química é uma doença crônica. Como outros pacientes crônicos, dependentes químicos estão sujeitos a lapsos que podem acontecer após períodos de sucesso do tratamento. O acompanhamento em clínicas especializadas que considerem tratamento multidisciplinar , o acompanhamento de longo prazo em grupos de auto-ajuda, o aconselhamento profissional – tudo isto funcionará como centros de apoio que poderá aumentar o sucesso do tratamento e diminuir as chances dos lapsos se tornarem recaídas. O importante é que se tenha consciência do quanto é difícil para qualquer pessoa que sofre de compulsões ou dependência superar o seu mal sozinho, já que normalmente a compulsão ou a dependência faz parte de um quadro patológico muito maior, é fundamental reconhecer o problema e buscar ajuda. 

Matéria publicada no Informativo CRIC – Abril/2012 
Élio Nepomuceno de Andrade – Cel.Ref. Farm. Bioquímico

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