quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O DESPERTAR ESPIRITUAL

O Décimo Segundo Passo dos Alcoólatras Anônimos e Narcóticos Anônimos é: “Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólatras e toxicômanos e a praticar estes princípios em todas as nossas atividades”.

O DEPERTAR ESPIRITUAL veio de Bill (Guilherme) e Bob (Roberto), e de seus amigos espirituais.

Pela experiência pessoal de Bill, pelas palavras e ajuda do Rev. Sam Shoemaker, pela divulgação do Rev. Eduardo Dowling, S.J., pelo apostolado hospitalar da Irmã Ignácia e pelo Dr. Bob.

Antes de relatar a experiência de Bill, vamos ver o que Bill e Bob escreveram sobre o Rev. Sam Shoemaker; o ministro episcopal, cujos ensinamentos foram uma inspiração para os co-fundadores e mais antigos membros do AA. 

Bill diz: “A absoluta honestidade de Sam, sua honradez, sua quase terrível sinceridade, causaram-me uma profunda impressão. No início, foi dele que Dr. Bob e eu absorvemos a maioria dos princípios que mais tarde foram agregados aos Doze Passos...

Sam Shoemaker deu-nos o concreto conhecimento sobre o que poderíamos fazer a respeito de nosssa doença... ele nos entregou as chaves espirituais com as quais fomos libertados.

O Rev. Eduardo Dowling, S.J., é o padre jesuíta católico cujo trabalho e influência pessoal tanto contribuiu para fazer do AA, a maravilhosa organização que ela é. O Pe. Eduardo (Ed) foi dos primeiros amigos, conselheiros e ajudantes a concorrer para que o AA, se tornasse o que é hoje. “Não fazia diferença eu estar na alegria ou na dor”, um AA escreveu, “O Pe. Ed sempre me levava à mesma sensação da Graça e da Presença de Deus. Ele é feito do material dos Santos. Ao se encontrarem com o Pe. Ed, muitas pessoas experimentavam este toque do eterno.

Também temos a incomparável Irmã Ignácia que era sócia do Dr. Bob no empreendimento pioneiro da internação dos membros em perspectiva do AA. O ministério do Dr. Bob, de sua esposa Anne, da Ir. Ignácia e dos mais antigos membros em Akron, deram um exemplo para a prática dos 12 Passos do AA, que ficará para sempre.

Agora, a história de Bill. Ele escreve:

Uma tarde o telefone tocou. Era meu velho companheiro de escola e de bebedeira, Ebby. De algum modo, mesmo pelo telefone eu sabia que ele estava sóbrio. Eu não podia me lembrar de uma época em que ele estivesse sóbrio em Nova York. Há muito tempo atrás eu já o tinha catalogado como caso perdido. Para dizer a verdade eu tinha ouvido dizer que eles iriam interná-lo por insanidade devido ao alcoolismo. Ansiosamente eu disse, “Venha agora mesmo e vamos conversar sobre os bons e velhos tempos.” Por que eu teria dito isto? Foi porque o meu presente, meu hoje estava insuportável e eu sabia que não haveria futuro algum. Logo mais, Ebby estava sorridente à minha porta. Em seguida ele estava sentado de frente para mim em minha cozinha. Entre nós, uma enorme jarra de suco de abacaxi.

Quase que imediatamente senti que tinha alguma coisa diferente com Ebby. Não era apenas o fato de que estava sóbrio. Eu não conseguia saber o que era. Ofereci-lhe um drink e ele recusou. Aí eu lhe perguntei, “O que está acontecendo?” Você me diz que não está bebendo mas também diz que não é mais um pinguço. O que está acontecendo?

“Bem” disse Ebby, “Eu tenho religião”.

Que bomba foi aquilo – Ebby e a religião! Talvez sua insanidade de alcoólatra tenha se transformado em insanidade religiosa. Foi um susto horrível. Eu tinha sido educado numa ótima escola de engenharia onde, de alguma forma eu tinha adquirido a impressão de que o homem era Deus. Mas como eu precisava ser educado, eu disse: “Que marca de religião você tem Ebby?” “Oh” ele disse: “Eu acho que ela não tem nenhuma marca em especial. Eu estou apenas andando com um grupo de pessoas do Grupo Oxford.

Não que eu concorde com todos os ensinamentos deles, mas aquelas pessoas me deram algumas idéias muito boas. Aprendi que tinha de admitir que estava vencido: aprendi que devia fazer uma auto-análise e a confessar meus defeitos para uma outra pessoa confidencialmente: aprendi que precisava fazer restituições para com aqueles a quem eu tinha lesado. Foi-me dito que eu precisava por em prática aquele tipo de doação que não espera pagamento ou troco; a doação de sua pessoa em prol de outra.” “Agora”, ele continuou “eu sei que vai ser uma surpresa para você, mas eles me ensinaram que eu deveria tentar orar para qualquer Deus que eu acreditasse existir, pedindo-lhe que me desse forças para adotar estes simples preceitos. E mesmo que eu não acreditasse na existência de um Deus seria bom que eu experimentasse orar para um só para o caso de que Ele existisse mesmo. Você sabe Bill, é uma coisa estranha, mas mesmo antes d’eu fazer tudo isto, tão logo resolvi fazer isto de peito aberto, sem nenhuma prevenção, pareceu-me que o meu problema com a bebida tinha sido retirado de mim. Não mais me sentia um pinguço, um bêbado. Desta vez eu me senti completamente livre do desejo e eu já não bebia há meses”.

Mas Bill continuava a beber.

Um dia, ao se lembrar que a Igreja do Calvário de Sam Shoemaker tinha uma missão onde os amigos de Ebby do Grupo Oxford o haviam acolhido, pensei em ir até lá para ver o que eles faziam. Fui de metrô até a Quarta Avenida com a Rua Vinte e Três. Ainda tinha uma boa esticada pela frente e por isso eu comecei a dar umas paradinhas pelos bares ao longo da Rua Vinte e Três. Passei a maior parte da tarde nos bares esquecendo-me por completo da casa da missão. A noitinha eu me encontrei numa conversa animada com um finlandês chamado Alec. Ele me contou que tinha sido um fazedor de velas e um pescador em seu país de origem. De algum modo aquela palavra “pescador’ deu um click em minha cabeça e novamente me lembrei da casa da missão. Lá eu encontraria pescadores de homens. De uma forma surpreendente, isto me parecia uma idéia maravilhosa.

Fomos até a missão. Havia alguns hinos e orações. Então Tex, o líder nos ensinou que somente Jesus poderia nos salvar. De alguma maneira isto não me balançou. Alguns homens se levantaram e deram seus testemunhos. Insensível como eu estava, ainda assim comecei a me sentir interessado e a me entusiasmar. Então senti o chamado. Alguns homens estavam se inclinando para o corrimão. Sem saber como, mas seguindo um forte impulso eu também dei um passo à frente, arrastando Alec comigo. Ebby tentou agarrar-me pelo casaco mas era tarde demais. Eu me ajoelhei em meio àqueles trêmulos penitentes e acredito que ali, naquele momento, pela primeira vez na minha vida eu também era um penitente. Alguma coisa tinha me tocado mas acredito que foi mais do que isso. Tinha sido atingido. Senti um forte impulso para falar. Levantei-me e comecei a falar.

Depois, nunca pude me lembrar do que tinha dito. Sabia apenas que estava realmente motivado e que as pessoas pareciam prestar atenção. Ebby, que a princípio tinha estado extremamente embaraçado, disse-me aliviado que eu tinha me saído bem e que eu tinha “dado minha vida a Deus”.

Mas Bill continuou bebendo.

Finalmente Bill foi hospitalizado.

“Minha depressão no hospital chegou a um limite insuportável e finalmente pareceu-me que eu tinha chegado ao fundo do poço. Eu ainda duvidava seriamente da noção de um Poder maior do que eu mesmo, mas finalmente por um momento, o último vestígio de minha orgulhosa resistência caiu por terra. De repente eu me ouvi gritando, “Se existe um Deus, que Ele se mostre”! Eu estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa.

Subitamente todo o quarto foi iluminado por uma grande luz branca. Eu me senti tomado de um tal êxtase que não existem palavras para descrever. Parecia-me ver com os olhos da mente, que eu estava numa montanha e que um vento, não feito de ar, mas feito pelo Espírito estava soprando e de repente compreendi que eu era um homem livre. Mansamente do êxtase foi amainando. Eu estava deitado na cama, mas por algum tempo estava em outro mundo, um novo mundo de consciência. Por toda a minha volta e através de mim, havia uma maravilhosa sensação da Presença, e pensei comigo mesmo, “Então este é o Deus dos pregadores!” Uma grande paz me envolveu e pensei, “Não importa quão erradas as coisas possam parecer, ainda assim elas estão certas. As coisas estão bem com Deus e com o Seu Mundo”.

Embora Bill tenha sido bastante tentado, ele nunca mais voltou a beber. Ele tinha experimentado o DESPERTAR ESPIRITUAL.

Para ficar sóbrios precisamos ter uma conversão, um DESPERTAR ESPIRITUAL. Para muitos, esta conversão funciona da seguinte maneira: Precisamos admitir que fomos vencidos. Precisamos entregar tudo. Não podemos continuar. Neste momento sabemos que estamos perdidos. Finalmente, vencidos e caídos no chão passamos a acreditar que um Poder Superior do que nós pode devolve nossa sanidade. Sim, estamos loucos, doentes, insanos e somente um poder maior do que nós poderá nos devolver nossa sanidade. Com o que resta de nossas forças tomamos a decisão de colocar nossa vontade e nossa vida para Deus do modo como o concebemos.

Deus, através de Seu Espírito toca ativamente em nós que passivamente recebemos aquele Espírito, e Deus é concebido em nós. O DESPERTAR ESPIRITUAL “é o nascimento de Deus dentro de nós.

Tendo tido esta conversão nós começamos a nos trabalhar duramente sem piedade. Fazemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos, e admitimos para Deus, para nós mesmos e para outra pessoa a natureza exata de nossas falhas. Nós não pomos a culpa em outros, nós acusamos a nós mesmos.

Agora estamos prontos para deixar Deus fazer seu trabalho em nós e humildemente lhe pedimos que retire de nós nossas imperfeições.

Tendo terminado conosco, começamos a fazer reparações para com os outros. Examinamos nossas vidas e verificamos a quem temos ofendido e vamos até eles pedir perdão e fazer reparações materiais e continuamos a fazer este inventário moral e esta vida de reparação numa base diária e contínua PARA SEMPRE.

Sabemos que somos fracos e por isso continuamos a rezar, a meditar e a procurar apenas a vontade de Deus para nós, e sinceramente pedimos força do Espírito para praticar apenas a vontade d’Ele.

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